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terça-feira, 27 de março de 2012

Como, quando e onde tudo começa - Lago di Como

Ainda meio sem saber por onde e como, estou iniciando esse blog que tem por objetivo registrar alguns momentos que estamos vivendo no continente europeu.

O título escolhido representa um pouco de nossa atual situação em terras estranhas. Apesar de contar com um bom navegador (o Bruno), que gosta (e com razão) de sempre planejar e estudar a respeito das viagens que temos feito, estamos constantemente perdidos. Tudo é sempre uma grande nova aventura, com mais de 50% de chance de nos perdermos em algo, seja na locomoção, para ir ao mercado, ou seja ainda para desenvolver tarefas mais simples, como fazer uma ligação a cobrar utilizando o telefônico público. Tudo é uma aventura inesperada e a qualquer momento podemos descobrir algo novo que não havíamos programado, mas como diria tia Vania: “Não importa o que aconteça ou o que te digam, sorria e agradeça”.

Esperamos que esse blog seja uma boa forma de manter contato com todas as estimadas pessoas que deixamos no Brasil, pois esse é nosso objetivo inicial, portanto, não nos ateremos particularmente a muitos detalhes, para tentar evitar que a leitura fique exaustiva.

Chegando na Itália, montamos o primeiro breve roteiro dos nossos sonhos com as seguintes cidades: Milão, Como, Venezia, Verona e Garda, com cerca de 8 dias.

Depois de conhecer a cidade onde o Bruno está morando, Pavia (deixo essa parte para depois), e passearmos por Milão (deixo pra depois também), fomos a Como.

Apesar de não termos conseguido cumprir os horários que tínhamos estipulado para chegar na cidade, pois o trajeto de trem não estava muito correto, quando chegamos na estação, lá pelas 10h10 da manhã, estava batendo um ventinho frio do lago, com um sol bom e com a paisagem pouco visível, tipo como uma neblina, brumas, como eles dizem por aqui. Então pegamos a Funicolare, um bondinho, que sobe até um dos pontos altos que tem no entorno do lago.

Chegada em Como:
 

Entrada da Funicolare:

Várias outras pessoas estavam subindo, o plano inicial era subir, apreciar a vista, depois ir a um farol lá no alto, depois, descer, pegar um carro elétrico, ir até um ponto de subida de um monte muito bonito que tem na região, subir esse monte (Monte Primo) e depois ainda pegar um ônibus para Bellagio, que é a cidade mais conhecida e mais comentada do lago.

Já estávamos precavidos de que todos os roteiros que montássemos seriam apenas uma ideia inicial e que na hora poderia acontecer algo diferente, portanto, tentaríamos encarar todas as mudanças sem stress.

Após desembarcar por volta das 10h, parece que tudo começou a furar, assim que compramos o ticket para o bondinho, descobrimos que ele tinha acabado de sair e que teríamos que esperar meia hora, não conseguimos o aluguel do carro elétrico e o trajeto teria de ser feito de ônibus, o que talvez levasse muito mais tempo. Apesar de um pouco chateados, afinal, o tempo para planejar não foi pouco, pensamos em continuar com a ideia do farol e depois irmos até a base do Monte Primo.

Vista do alto do morro da Estação da Funicolare:

Para nossa surpresa, enquanto estávamos indo ao farol, tinha um italiano subindo com sua filhinha nas costas, o que achamos incrível. Ele tinha uma mochila especial, tipo uma cadeirinha, na qual ela se encaixava bem certinho. Eles estavam indo na mesma direção que nós e, quando passamos por eles, o Bruno perguntou se estávamos caminhando na direção correta (como era uma baita subida, não valia a pena ficar se perdendo), ele perguntou de onde éramos, quando falamos Brasil, ele pensou dois segundos e disse: "Brasil! Cotovelo, barriga, joelho"... foi bem engraçado. Após nos dar a informação, eles nos ultrapassou no meio do caminho e acabamos nos encontrando só lá no farol.

Subidinha constante:


Vista do farol:




 Como era dia de semana, só estávamos nós e eles lá no farol naquele horário da manhã, então começamos a conversar, como o cara estava se preparando para uma caminhada mais longa, o Bruno achou interessante perguntar se ele conhecia o lugar para onde queríamos ir. Ele disse que era um pouco trabalhoso ir para lá de ônibus, por causa do horário, mas disse que iria fazer uma parte do caminho até lá e que se quiséssemos caminhar com ele e sua piccola, ele poderia nos indicar como continuar.

Assim, o plano mudou completamente, acompanhamos os dois durante o dia todo pela trilha, que por sinal é bem estruturada, há pedaços com calçamento, outros são de estrada de chão e outros são de trilha mesmo. Conhecemos as diferentes paisagens da região e ganhamos algumas horas de conversa com alguém que conhece consideravelmente bem o local. O trajeto é bem sinalizado, até trilha é bem estruturada na Europa... Nós fizemos, na verdade, um trecho do que eles chamam de Triangolo Lariano, que é uma trilha bastante conhecida na região, no caminho passamos por várias pessoas que estavam fazendo sentido oposto ao nosso. Alguns, eu diria, com mais de sessenta e cinco anos!! (encontramos um cara de bike que parecia ter uns 65...)

Início da trilha:


(Há muitas casas ao longo do caminho, uma mais linda do que a outra... fico imaginando quem mora em lugares de acesso tão difícil... não dá pra sobreviver com carrinho 1.0)


Vista da ribanceira:




(casa aparentemente abandonada, mas que possivelmente deve ser habitada no verão)


(curiosidade: 90% das casas possui o nome da dona da casa no portão, é o único lugar que vimos isso, será que é para quando os maridos tomam umas birita a mais saberem se estão na casa certa?)

(Il cane que encontramos no caminho, Rex era seu nome, pois é, o nome dos caninos varia pouco ao redor do mundo...)

(Vitória, faceira após avistar o cavalo pastando)



 (parada para o almoço: 1 maçã, algumas bolachas e pão com linguiça, hmmm... estava divino!)





Faceira após encontrar os últimos restos de neve da região:

E não fui só eu que fiquei feliz!




Algumas casas desabitadas pelo caminho, já quase no final da jornada:


Algumas flores começam a aparecer pelo caminho, sinais de que a floresta não está tão morta quanto parece:

Já no vilarejo, para buscar algum meio de locomoção:

Ruelas estreitas, com belas e tranquilas casas:

Depois entendemos o porquê do italiano conhecer o nome de várias partes do corpo, ele contou que dá aulas de Jiu-jitsu e que adora os princípios brasileiros nesse esporte.

Começamos a caminhada por volta das 11h00 e chegamos em uma das muitas cidadezinhas que cercam o lago lá pelas 17h00. De lá pegamos um ônibus e retornamos a Como.

Já em Como comemos um Kebab com uma birra =).


Sr. Battezzati, Sr. Kebab e birra gelada:


Fico aqui, 
Espero não ter sido cansativa nesse breve relato!