terça-feira, 26 de junho de 2012

Switzerland - St. Moritz

 Após ter sobrevivido tempo na Irlanda sem o Bruno Henrique, cá estou com as últimas viagens.
Já mentalmente exausta pela distância que me separava de metade de mim, Bruno e eu resolvemos fazer a última viagem antes da alta temporada: primeiro iríamos para a Suiça, depois Roma e, para finalizar, Polônia. Claro que viagens breves.
No planejamento para a Suiça contamos com a experiência dos nossos amigos aventureiros novamente - Ademir e Marisete, eles nos deram dicas preciosas.
A ideia foi ir de Milão (Milano Centrale) a Tirano e lá pegar o Trenino Rosso que vai a St Moritz pernoitando apenas uma noite em hostel na Suiça e retornando para a Itália no próximo dia.
Milão ficamos uma noite no Hostel Califórnia, fica aqui a indicação, é um dos hostels mais baratos da cidade, não é incrivelmente bom, mas dá para sobreviver, enquanto estavamos lá tinham muitos jovens apenas de passagem. Japonesas, italianas, franceses, diferentes pessoas, valeu a pena.

Ruas de Milão repletas de rosas, wonderful

Lindo ver como uma cidade presenteia seus cidadãos com tantas rosas.



Diga-se de passagem, o roteiro planejado é muito bom para viajates econômicos como nós, pois a Suiça é naturalmente um destino mais caro, sendo que dessa forma é possível comprar o ticket andata e ritorno (ida e volta) com transporte garantido até o destino final e com a possilidade de descer em todas as paradas que o trem faz durante o caminho.

 
Mapa das paradas que o trem faz de Tirano até St. Moritz

Na hora ficamos um pouco desapontados, pois o Bruno tinha visto que cada ticket custaria €22.00, quando chegamos lá descobrimos que esse valor era só da reserva em um vagao especial, acabamos pagando o dobro do programado. Mas, quando se sente aquele ar gelado das montanhas, não dá para se conter, pricipalmente quando você já sobrevoou a região (os voos que chegam em Milão inevitavelmente sobrevoam os Alpes), a empolgação substitui qualquer pensamento mão de vaca.


Compramos os tickets em frente à estação de trem e depois fomos ao mercadinho próximo para comprar frutas e outros suprimentos, afinal, o franco suiço é um pouco mais caro que o euro, consequentemente ainda mais caro se convertido para reais, então é melhor não pagar para ver se a viagem vai sair mais cara do que o esperado.
Em frente à estação de Tirano



Compramos alguns kiwis e voltamos para a estação. 
Com o olhar um pouco mais cuidadoso observamos no meio da praça, logo em frente à estação de Tirano, algo como um totem no qual se pode pegar água mineral gratuitamente, e, para a loucura do Bruno Henrique, não "apenas" água mineral como também nas versões "fredda"(gelada) e "gassata" (vulga água com gás). Haindy Krüger nesse caso diria apenas "Finalmente justiça, a sociedade não pode cobrar pela água, a água é um recurso natural! o homem deve cobrar apenas pelo serviço prestado", no nosso caso apenas sentimos, saboreamos, uma prévia dos Alpes gratuitamente.

Olha, olha, olha, olha, olha, olha, olha água mineral



Embarcamos no trem, que já inicia a viagem subindo, até Alp Grüm tem-se apenas subidas. É incrível ver a estrutura da linha férrea que te mais de sei lá quantos muitos e muitos anos, o interessante é imaginar como ela foi construída, há vários túneis, alguns bem complexos, e mais, imaginar como tudo isso tem vida nos períodos críticos de neve.

Nosso trem








 O primeiro ponto escolhido para desembarque, já em território suiço, foi Miralago. Lembro-me que era perto das 10h, em algumas partes do mundo o sol ainda não tinha iniciado a rotina já conhecida, mesmo assim, com toda certeza aquele era um dia útil como qualquer outro. Pessoas estressadas em todos metros cúbicos habitados do mundo, muitas em condições sub-humanas de trabalho, de vida, de existência, mas não ali. Não naquele pequeno pedaço de mundo muitas vezes hostil para a sobrevivência humana. Ali estavamos como que presos voluntariamente a uma pintura de uma paisagem: o silêncio e o contraste verde/pedra/neve/lago. Em Miralago eu ainda não conseguia entender, talvez agora ainda não entenda, como aquilo é um país. Como há pessoas que nascem, crescem, vivem, tem seus filhos lá. Um lugar muito lindo para se viver normalmente.


Miralago














Ficamos hospedados em St. Moritz, que é uma das cidades maiores, mas que mesmo assim não pareceu muito grande. O hostel era um HI, um baita prédio, com um ótimo atendimento. Ficamos em um quarto compartilhado, a recepcionista (trilingue, algo comum por lá) disse que o padrão dos quartos compartilhados lá são 4 camas por quarto, algo um pouco diferente dos quartos com 12 ou 14 camas encontrados em outros hostels por aí.




St Moritz

Chegando no hostel


cervejinha no hostel


Em nosso quarto já estava hospedado um casal de senhores australianos de aproximadamente uns 60 anos ou mais, foi muito bacana o pouco que pudemos conversar com eles.
No dia seguinte, logo pela manhã, aproveitamos o café da manhã, que já estava incluso no valor da diária. Simplesmente incrível para um hostel, variedade de queijos, embutidos, frutas, vários tipo de cereais, geleias, suco, chocolate quente... tinha que ser na Suíca... Foi praticamente nosso almoço.


Café da manhã reforçado


Estrutura do hostel - sala de leitura

Estrutura do hostel - área comum

Estrutura do hostel - living room

Estrutura do hostel - refeitório




Casas e prédios sem muros, coisas deixadas do lado de fora sem problemas






 Pegamos novamente o trem para aproveitarmos bem o dia. Descemos em Diavollezza, onde fica uma estação de esqui.
Foi uma das paradas mais divertidas, pois, como vocês podem ver nas fotos, o primeiro contato com uma grande quantidade de neve é sempre incrível.


Diavollezza

momentos felizes em Diavollezza







 "Pergunta: não estava frio?" - Não, no final de junho toda a neve está derretendo, tinha um arzinho um pouco fresco, mas não estava frio, tanto é que estávamos de camiseta.
Inclusive foram dois dias lindos, céu aberto, sem chuva, mais de 18°C.
Vimos muitas pessoas descendo a montanha esquiando, muito legal, eles descem muito rápido. Não pegamos o teleférico por não achar tão "legal" assim (leia-se "legal" €80 apenas para subir e descer, para alugar equipamento vai mais €100 e poucos).
Depois de curtimos o momento "criança feliz", pegamos o trem novamente e fomos até outro vilarejo que se chama Ospizio Bernina - o mais cheio de neve. 


Ospizio Bernina

Essa água com cara de geladeira descongelando se transforma em 
um lindo lago no verão, Lago Bianco

Lago Bianco com o horizonte de gelo ao fundo






 Depois paramos ainda em Cavaglia para ver umas formações geológicas parecidas com aqueles panelões de Tibagi, só que a água não passa mais por todos eles como em Tibagi. 
Tem um mirante lindo nesse lugar.

Cavaglia


Mirante em Cavaglia



 Então, para aproveitar o sol do momento, resolvemos descer andando até Poschiavo, pois o dia já estava se encaminhando para o fim e o nosso roteiro também. Estávamos agora novamente nos aproximando da fronteira italiana, então porque não ir a pé para demorar mais?!



A propósito, essa região tem um completos de trilhas bem bacana, para pessoas que gostam de moutain bike, tem muita sinalização. Acredito ser possível ir de Tirano até St Moritz pelo "meio do mato", deve inclusive ser muito bonito, vimos vários esquilos no tempo que pegamos a floresta. 
O pequeno detalhe é ter preparo para encarar as montanhas, esses caras aí são prováveis sobrevivente que eu fotografei lá em St Moritz.






Entramos no mundo do chocolate Milka, lembram daquele comercial antigo do Milka? 
"Produzido com o legítimo chocolate suíço..."





O rio descendo a montanha - provavelmente essa água abastece muitas cidades italianas


Chegando em Poschiavo


Voltando para Tirano

Isso é civilização, trem e carro vivendo em harmonia
  
Hora de tomar um gelato italiano