Tínhamos algumas coisas em mente, o carinha do trem (aquele que seguimos até chegar em Krakov) disse que não poderíamos deixar de ir para Salt Mine, que é uma senhoooora mina de sal, com esculturas, igreja, cafés e outras coisas. Então fica aqui a dica para quem tiver um pouco mais de sorte e tempo do que nós.
Acabamos não indo, pois é necessário um dia todo para aproveitar. Quando fomos para Krakov, era uma ou duas semanas antes da Euro Copa, então as redondezas estavam transbordaaaando de turistas e, portanto, não tínhamos garantia de que haveria um espacinho para nós lá, já que geralmente as grandes empresas reservam com antecedência os horários.
Acabamos indo para algo mais mórbido, que também fica perto de Krakov, fomos para Auschwitz, o terrível campo de concentração que foi transformado em museu.
Como: Pegamos um ônibus de linha na rodoviária, que fica ao lado da estação central de trem. Não me recordo o número do ônibus, mas é só perguntar por Oswiecim, que é o nome em polonês do lugar.
Quanto: Pagamos 52 zlotz pela visita guiada, tarifa de estudante para duas pessoas que inclui visita guiada a Auschwitz e a Birkenau (levamos quase o dia todo com as duas visitas e a guia do museu era ótima) + 25 zlotz de transporte (se minhas anotações estão certas, não sei se pagamos 25 só para ir ou 25 no total para os dois ida e volta, não lembro ao certo). Não gastamos nada mais além de uma soda que o Brulindo comprou lá no museu, o passeio até tira o apetite para falar a verdade... comemos uma mirabel que tínhamos na mala e deu...
Vimos que muitas agências oferecem exatamente o mesmo passeio, mas pelo dobro do preço (e x2 no nosso caso). Eles insistem que o museu é muito longe de Krakov e um monte de balelas... nós preferimos ir por conta, pois gostamos de ler linha por linha de todas as informações que tem em todos os museus, para fazer valer o passeio... geralmente quando vamos com outras pessoas, principalmente guias, eles têm outras preocupações e querem voltar logo embora... preferimos "ir simplesmente indo..."
Ainda assim ficamos com a impressão de ter sido um pouco rápido, pois optamos pela visita guiada do museu e estávamos em um grupo grande, um pouco disperso, o museu estava lotado de excursões... principalmente na primeira parte, de Auschwtiz, tinha muita gente. Mesmo assim consegui entender bem a guia, muito informativo. Se você opta por não pagar a visita guiada, você não vai à segunda parte, Birkenau, que são os prédios que foram construídos mais tarde.
Em Auschwitz, muitos prédios têm exibições com fotografias muito chocantes. Essas fotografias contam sem palavras o que aconteceu com pessoas, hoje anônimas, que comeram o pão que o diabo amassou. Há fotos chocantes com pessoas que sofreram diferentes tipos de experimentos, pessoas subnutridas, alguns sobreviventes daquelas condições...
A fotografia acima, segundo as informações, mostra uma senhora e algumas crianças logo após o desembarque em Birkenau. Como não estavam aptas ao trabalho, foram diretamente à câmara de gás. Não é possível dizer que estavam tranquilas, pois após tudo o que devem ter suportado nos longos dias de viagem, sem água, sem se alimentar, sem poder ir ao banheiro...
Mas, em suas mentes, talvez tenham acreditado no que lhes foi dito: de que antes de reencontrarem seus familiares, deveriam tomar um banho. O final dessa estória nós sabemos...
Há alguns cômodos com a concentração de uma parte dos todos os sapatos que foram encontrados nos campos Auschwitz e em Bikernau. É muito sapato.
A foto está ruim, mas dá para ter uma noção melhor do tamanho de um dos corredores e da quantidade de sapatos.
Prótestes, muletas e outros que os prisioneiros tiveram de abandonar na entrada.
Além disso, há partes chocantes como um imenso cômodo com uma grande quantidade de cabelo que foi cortado. O cabelo era utilizado para fazer roupas e outras coisas...
Essa outra parte preserva as malas que, assim como todos os pertences, deviam ser abandonadas logo na chegada
Dentro dessas malas haviam objetos variados, os prisioneiros estavam preparados para o pior.
Nessa parte vemos utensilios de cozinha
Dieta diária dos prisioneiros: uma fatia de pão, uma porção de manteiga (ou gordura, não sei), uma porção de um tipo de mingau (o na panela preta eu não lembro o que era, mas nada que tenha grande valor nutricional). Nada mais do que isso por dia.
Em Auschwitz - uma das primeiras partes construídas, as janelas foram lacradas para que os prisioneiros não vissem os fuzilamentos que eram feitos nesse corredor na parte externa
Vagão de trem preservado em Birkenau
O detalhe dessa foto é a janela, não é possível imaginar passar mais de 8 dias nesse vagão lotado e sem qualquer condição sanitária, apenas com a comida que os prisioneiros traziam de casa, sem água.
Birkenau
Birkenau
Nessas ruínas ficava uma das câmaras de gás em que havia os tais chuveirinhos que são retratados em muitos filmes. Segundo a guia, tudo foi preservado desde que o campo foi descoberto.
"Alojamento" em Bikernau, a parte mais nova dos campos e as mais rústicas -30ºC lá fora = -30ºC lá dentro. Piso cimento batido, telhado precário. Quando o problema não era o tempo (o frio, a água que alagava o chão) eram os ratos que entravam para tentar comer algo.
Essa parte era habitada apenas por mulheres, os nazistas tinham ódio especial por elas, por acharem que elas eram responsáveis por gerar novas gerações de pessoas, para eles, "desprezíveis". Cada andar era dividido as vezes por até 20 pessoas, durante a noite algumas morriam.
Entrada de Auschwitz - "O trabalho liberta", a frase daria a falsa expectativa de que se o prisioneiro trabalhasse direitinho teria ainda alguma chance de sobreviver.
Esse esquema mostra como Auschwitz estava interligado aos outros campos de concentração. Pessoas de todos os outros lugares eram enviadas a Auschwitz
Foto com as tatuagens que era brutalmente feitas nos prisioneiros para poder identificar posteriormente os presos.
Alguns dos frascos de Zyklon B, inseticida utilizado nas câmaras de gás
Segundo a guia, na parte esquerda, atrás das árvores, um dos comandantes do campo de concentração viveu muitos anos em uma mansão com sua família. Não mais longe que 200 metros das atrocidades que via durante o dia, vivia com seus filhos e esposa.
Cerca elétrica
Banheiro em Birkenau - Essa é outra parte que choca profundamente
A guia explicou que a pia foi construída com saboneteira para que pudesse ser fotografa e nas propagandas ajudassem a refletir a segurança do lugar para onde as pessoas estavam sendo enviadas, mas a realidade, claramente, era outra. As pessoas só podiam ir ao banheiro no começo na manhã e no final da tarde, ficavam todas lado a lado e não tinham mais do que 10 segundos para fazer o que tinham de fazer.
Nesse momento muitos aproveitavam a oportunidade para tomar a água, pois não teriam outra oportunidade durante o dia todo. Alguns eram mortos enquanto tentavam entrar novamente na fila para usar a pia ou para usar novamente o banheiro.
Esse era o banheiro ou sei lá como posso chamar isso





















